Juíza vê risco de feminicídio e converte em preventiva prisão de homem detido após bilhete de SOS da ex em UBS
Bilhete escrito pela vítima de violência e o suspeito de agredi-la Raquel Freitas e Guarda Civil de Contagem O Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou...
Bilhete escrito pela vítima de violência e o suspeito de agredi-la Raquel Freitas e Guarda Civil de Contagem O Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou que a prisão em flagrante de Josimar Junio dos Santos, de 42 anos, seja convertida em preventiva. Para a juíza que decidiu manter o homem preso, a eventual soltura representa um risco de feminicídio (leia mais abaixo). Josimar foi detido na sexta-feira (29), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, após a ex-mulher dele deixar um bilhete de SOS numa Unidade Básica de Saúde (UBS) alegando estar apanhando do homem. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp A vítima, de 47 anos, pediu para não ter o nome divulgado. No bilhete, entregue a uma enfermeira da UBS durante atendimento, ela solicitou que chamassem a polícia: "Me chama para dentro. Dá tempo de chamar a polícia, pelo amor de Deus. Chama a polícia para mim, ele está me batendo" (entenda mais abaixo). O homem não estava no local no momento em que guardas civis chegaram à unidade hospitalar, mas acabou sendo econtrado em seguida perto da casa da vítima e levado à delegacia. Vítima de agressão usa bilhete para pedir ajuda em posto de saúde Juíza viu risco de feminicídio Na decisão deste sábado (30) que determinou a manutenção da prisão do agressor, a juíza Marina de Alcântara Sena, da Vara Plantonista da Comarca de Contagem, citou a Lei Maria da Penha, o risco à vida da vítima e o histórico de crimes de Josimar. "A gravidade concreta do crime, extraída do modus operandi empregado pelo agente, revela uma periculosidade social que exorbita o tipo penal comum. O cenário descrito é de terror psicológico e violência física acentuada, onde a vítima se viu obrigada a utilizar de um bilhete de "SOS" para romper o cerco imposto pelo autuado em local público" escreveu a juíza na decisão. Para a juíza, o agressor "revela uma propensão crônica à criminalidade violenta", tendo condenações transitadas em julgado por crimes de roubo majorado e estupro. "O histórico de descumprimento de normas sociais e o desrespeito a decisões judiciais pretéritas evidenciam que o autuado, se em liberdade, voltará a buscar a vítima, colocando-a em risco de morte, configurando o risco de um possível feminicídio", afirmou na decisão. O g1 não conseguiu contato com a defesa do suspeito. A Defensoria Pública havia solicitado à Justiça que fosse concedida ao agressor a liberdade provisória sem fiança, acompanha de medidas cautelares. Para o órgão, não foi "demonstrado o risco à instrução criminal ou à aplicação da lei penal". Vítima disse ter sofrido tortura por horas Em entrevista à TV Globo, a vítima contou sobre o momento da agressão. "É muito sofrimento para a mulher. Eu nunca pensei passar o que eu estou passando. Ele me torturou muitas horas, entendeu? Eu não vou permitir isso na minha vida não, senão eu não estaria aqui", disse. "Ele bateu na minha cara, me deu soco, pôs a faca no meu pescoço. Falou muitas palavras obscenas comigo, puxou meu cabelo, pôs faca no meu pescoço. Eu só levei o pensamento a Deus." LEIA TAMBÉM Dinheiro voando na rua: R$ 5 mil encontrados por servidor público eram pagamento por serviço de trabalhador rural Ex-carroceiro muda de vida ao achar tela em branco, vira pintor e ganha mostra em BH Pedido de socorro e prisão No dia do bilhete deixado com a enfermeira na UBS, funcionários acionaram a Guarda Civil Municipal. O suspeito, no entanto, que tinha acompanhado a vitima à unidade hospitalar, conseguiu fugir antes da chegada dos agentes. Josimar Junio dos Santos foi localizado pouco tempo depois, próximo à casa da vítima. O guarda civil Leonardo Almeida informou que a mulher relatou que as agressões começaram por volta das 3h da manhã de sexta. O homem não aceitava o fim do relacionamento e teria ameaçado matá-la. Após as as agressões, o homem dormiu, momento em que o bilhete foi escrito. De manhã, ela alegou ao homem que tinha uma consulta marcada na UBS, e ele a acompanhou. Chegando na unidade de saúde, a vítima entregou o pedaço de papel discretamente para uma enfermeira. O agressor e a vítima foram encaminhados para a delegacia para o registro do boletim de ocorrência. Josimar já tinha passagem pela polícia e foi preso. De acordo com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, o agressor já tinha estado preso entre junho e 2020 e outubro de 2021. Segundo a pasta, ele possui quatro passagens anteriores desde março de 2014. Vídeos mais vistos do g1 Minas