Card. Aveline: Igreja irá “regar as sementes” da visita do Papa à França
O Arcebispo de Marselha e presidente da Conferência Episcopal Francesa, Cardeal Jean-Marc Aveline, reflete sobre os quatro dias do Papa na França Continue lendo...
O Arcebispo de Marselha e presidente da Conferência Episcopal Francesa, Cardeal Jean-Marc Aveline, reflete sobre os quatro dias do Papa na França
Da redação, com Vatican News
Fotos: Reprodução Conferência dos Bispos da França no YouTube | Remo Casilli – Reuters
Os católicos na França viveram quatro dias de entusiasmo e intensidade durante a visita do Papa Francisco ao país, de 25 a 28 de setembro. Entre eles estava o Cardeal Jean-Marc Aveline, que acompanhou o Papa em cada uma das etapas de sua quinta Viagem Apostólica internacional.
Um tanto cansado, mas ainda sorridente, o presidente da Conferência Episcopal Francesa e Arcebispo de Marselha falou ao Vatican News sobre a visita do Papa.
O Arcebispo de Marselha relembrou os momentos marcantes da visita papal: desde o encontro emocionante com os jovens no estádio Stade de France, em Paris — onde foram incentivados a se comprometerem com o futuro da França, da Europa e do mundo —, passando pela reafirmação do apoio incondicional à dignidade inviolável da vida humana, até um encontro profundamente comovente, com mais de duas horas de duração, em Lourdes, com sete vítimas de abuso sexual cometido por membros do clero.
Vatican News — Eminência, agora de volta a Paris e antes de retornar à sua Arquidiocese de Marselha, que impressões lhe deixaram os quatro dias passados com o Papa Leão XIV em Paris, Lourdes e Metz?
Dom Aveline — Esse encontro ocorreu em um momento propício, reunindo um homem portador de uma mensagem e de uma responsabilidade para com toda a Igreja e o povo da França — católicos, cristãos ou outros — que ali estava e nutria expectativas. Aguardavam-se as palavras do Papa, mas, mais do que palavras, as pessoas vivenciaram o encontro com uma pessoa. Acredito que, para os franceses que compareceram e até mesmo para aqueles que acompanharam a visita pela televisão, o Papa se dirigia a eles pessoalmente, com grande respeito e, ao mesmo tempo, com grande autenticidade.
Vatican News — Em uma coletiva de imprensa antes desta Viagem Apostólica, o senhor disse que a França intrigava o Papa Leão XIV. Isso ainda é verdade?
Dom Aveline — Devo ir a Roma na próxima semana e passar oito dias lá. Terei tempo para lhe fazer essa pergunta. No entanto, creio que ele ficou profundamente tocado pelo fervor. No avião, um jornalista lhe fez uma pergunta sobre a Alemanha, e sua resposta foi: “Olhem para o que aconteceu na França”. Costumava-se dizer coisas sobre a França que, provavelmente, ainda poderiam ser ditas sobre a Alemanha hoje. Ele ficou profundamente tocado tanto pelo fervor dos jovens e pelo entusiasmo deles quanto pela esperança que carregam e transmitiram. É aí que acontece o encontro. O Papa transmite algo, mas os jovens e as multidões presentes também transmitem algo a ele. Acredito que, para além do fato de a França o intrigar, ela o toca profundamente. E nos toca também, pois nos lembra de nossa responsabilidade aqui na França. Embora já esperássemos por isso, o Papa também ficou profundamente tocado, em Lourdes, pelo tempo que passou com pessoas que enfrentam dificuldades — quaisquer que sejam elas. Senti que isso realmente o comoveu.
Vatican News — Duas perguntas sobre Lourdes. A primeira diz respeito ao encontro com vítimas de abuso sexual. Tivemos a impressão de que elas saíram desse encontro comovidas quando, mais tarde, falaram à imprensa.
Dom Aveline — Sim, mas isso não é surpreendente. Guardadas as devidas proporções, podemos perceber — e eu mesmo vivenciei isso — que, quando um bispo acolhe uma pessoa, quando as condições são propícias para tanto e quando é possível simplesmente ouvir com atenção e por bastante tempo, em diversas ocasiões, mantendo o contato e acompanhando o desenrolar da situação, já se consegue perceber que ela está trilhando um caminho de cura. Quando esse encontro ocorre com o Papa, ele ganha ainda mais impacto e importância. Nos comentários que fizeram posteriormente [à imprensa], percebe-se claramente que, para essa ferida, o remédio de uma escuta atenta e humilde é o aspecto mais importante.
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